sexta-feira, 23 de setembro de 2011

E O BURACO CRESCENDO


Eu entendo minha senhora. Entende o que? Retrucou D. Maria. Já faz 35 dias e a rua onde moro é buraco pra tudo quanto é lado. Eu entendo minha senhora, mas a culpa é da chuva e tem que esperar a terra assentar. E O BURACO CRESCENDO.
E o vizinho, que era só alegria com o carro zero financiado em 60 vezes, ficou uma fera e cliente assíduo das oficinas... é suspensão, os pneus e por aí vai.E O BURACO CRESCENDO.
Um pouco mais adiante, na mesma rua, o asfalto recortado, pois um morador influente, amigo do homem, fez uma ligação de água e O BURACO CRESCENDO.
No sábado de tarde, o Zé vinha de bicicleta, na volta do mercado, desvia daqui, desvia dali, mas o tombaço veio com tudo e O BURACO CRESCENDO.
E não é que os entendidos, numa idéia brilhante, resolveram colocar lombadas nessa rua? E O BURACO DO CÉREBRO CRESCENDO.

domingo, 18 de setembro de 2011

O PODER DA TORCIDA ORGANIZADA

Um conjunto de adeptos de um clube esportivo que seguem uma ordem, com lógica e coerência poderia ser uma definição de torcida organizada.
Embora possa haver exceções, as torcidas organizadas, atualmente, são grupos que só querem mesmo é confronto, brigar com os torcedores rivais, agredirem jogadores e dirigentes, mandando e desmandando e não acontecendo nada.
Em outros países, muitas torcidas se manifestam através de uma cultura de combate, São bandeiras, brasões, cantos que unem os torcedores para um enfrentamento, principalmente, com os principais rivais.
Na Grécia, Turquia, Sérvia, Rússia, entre outros, os clássicos apresentam um grau extremo de violência, fora e dentro de campo. Além da rivalidade esportiva, há questões históricas, religiosas, ideológicas e territoriais que esquentam esses confrontos, onde esses grupos transformam seus clubes em representantes de uma causa, colocando-se como fiéis soldados.
Quando assistimos a jogos que envolvam equipes argentinas, os torcedores hermanos são a alma da equipe, gritando o tempo todo, cantando, as bandeiras tremulando, o papel picado espalhando pelo estádio, proporcionando um grande espetáculo.. Na América Latina, além da parte do espetáculo, temos os grupos que se infiltram, visando lucros e poder, incitando a violência.
No Brasil, a fiscalização tem sido mais atuante e medidas preventivas como a venda antecipada de ingressos e identificação dos torcedores nos estádios, minimizaram os casos de violência, embora, muitas vezes, a lentidão da justiça e a impunidade dos infratores, nos mostra que há muita pedra pelo caminho.
Segundo alguns historiadores, a primeira torcida organizada do Flamengo foi criada em 1942, pelo baiano Jaime de Carvalho, sendo denominado de charanga, pelo fato de seus torcedores irem a campo munido de instrumentos musicais para enriquecer o espetáculo.
Na década de 70, há um crescimento das torcidas, resultando no aumento de brigas, porém, revelando o reconhecimento de lideranças, que foram se politizando, unindo-se e, dessa forma, reivindicando junto às federações, interesses comuns em prol do futebol.
A violência precisa ser combatida através de políticas mais eficientes. O medo de ir ao estádio ainda ronda a maioria das pessoas. As Federações têm procurado em parceria com a Polícia Militar, garantir melhores condições quanto a estrutura e assim, assegurar o acesso e a saída do estádio, bem como durante a partida e, tudo isso tem apresentado melhorias consideráveis, permitindo uma maior segurança para que o torcedor possa acompanhar sua equipe mais de perto.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O BANQUETE

Abro a geladeira, um copo de geleia, um salame pela metade, três fatias de queijo, uma de presunto, o restinho da coca já sem gás, uma caneca com leite, meia cebola e dois tomates...finalmente, achei o que queria.
Num prato branco de sobremesa, ela me esperando, meio caída, ressecada, fria, mas...uma DELÍCIA!!!!
um pedaço de pizza de muzzarella, hummmmm, as 7 da matina.

O CARTAZ

Na fila do banco, aguardando minha vez e chama a atenção um cartaz " NÃO ´FALA QUE EU OUÇO, É FALA QUE EU RESOLVO".
E o cara na minha frente, sendo atendido pela caixa, explica que seu cartão está vencido, que tem que alterar a senha, que tem que sacar dinheiro e que vai viajar...e...como resposta, OUVE que não tem jeito.
Irritado, quem sabe, mudando de planos da viagem, guarda a carteira no bolso, com cara de poucos amigos, xinga todos os Visa, Mastercard, bancos e primos mais próximos.
Sorte deles que ele não leu o cartaz.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

CARA OU COROA

Dias desses, a chuva deu um tempo, o Sol brilhando e eu indo trabalhar.
Nada de trânsito, ouvindo uma musiquinha, a faixa de pedestre logo 'a frente e um casal mais velho encaminhando-se para um passeio na praia.
Nenhum carro atrás de mim, o casal para na calçada, aguardando que eu seguisse adiante; eles poderiam esperar uns instantes, pois assim que eu passasse,a rua seria toda deles.
No cara ou coroa, escolhi o lado correto...parei e acenando com as mãos e um largo sorriso, dei passagem ao casal.
Atravessando calmamente, retribuem o sorriso e eu GANHEI O DIA!!!
Simples não? mas tem gente que complica.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

CARTÃO VERMELHO PARA A ARBITRAGEM

O árbitro apita e começa a decisão.Jogo equilibrado, as equipes respeitando-se, saindo no contra ataque até que...o craque do time faz fila, arranca em velocidade e com um arsenal de lindas jogadas, drible da vaca no primeiro, canetinha no outro, chega o zagueiro e leva um balãozinho mas não deixa por menos, dá um carrinho,craque do chão para a maca e o árbitro chama o defensor, dá uma lição de moral, adverte verbalmente, diz que na próxima vai pra rua...mas nada de cartão.
O clima do jogo esquenta, é pancada pra todo lado e o 0 X 0 persiste no placar.Aos 25 minutos do segundo tempo, lá vem ele, novamente fazendo das suas.Mas dessa vez, os carrinhos e as caneladas não conseguem segurá-lo e vai em frente, atropela toda a defesa, fecha pelo meio, invade a área, cara a cara com o goleiro, ginga pra lá e pra cá e...GOLAÇO!!!!!!!!!
Eufórico com o lance genial, corre para a torcida, vibra grudado no alambrado, mas na volta ao campo, o árbitro mostra o cartão amarelo.E o zagueirão lá atrás só ganhou uma lição de moral.
Ah!!!  Esses cartões. Professor, cadê o cartão? Esqueceu em casa?
Até a Copa do Mundo de 1966, realizada na Inglaterra, os árbitros indicavam as infrações através do apito e de gestos.Quartas de final, Inglaterra X Argentina, com um árbitro alemão e nem bem começou o jogo, os argentinos já eram advertidos, ficando a sensação de que tinha alguma coisa no ar.
Ainda no primeiro tempo, o capitão dos “ hermanos”, Rattin, não agüentando mais o apito suspeito, partiu para a reclamação e pediu por um intérprete que, claro, não apareceu. Gesticulando em excesso contra o árbitro, o alemão achando que estava sendo xingado, não teve dúvidas e o argentino foi  mais cedo para o chuveiro. No final, deu Inglaterra, 1 x 0.
Por conta da dificuldade de comunicação entre o árbitro e os atletas, em razão dos diferentes idiomas das equipes participantes, a FIFA instituiu os cartões amarelo com advertência e o vermelho para expulsão, sendo utilizados pela primeira vez na Copa do mundo de 1970, no México.
Na estréia da Copa do México, em 70, jogo entre México  X União Soviética, foram distribuídos cinco cartões amarelos e o cartão vermelho em Copas do Mundo, foi na Alemanha, em 1974 e o premiado foi o chileno Carlos Caszely.
Há 41 anos surgiram os cartões amarelo e vermelho e num ponto, torcedores, dirigentes, atletas e jornalistas, todos concordam. A falta de critérios na aplicação dos famosos cartões.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A MAGIA DO FUTEBOL DE VÁRZEA

Alguns dizem que surgiu na França, nos tempos da Revolução, onde, somente os nobres podiam participar e para não sujar suas roupas, ao invés de buscarem o controle da bola, corriam dela.
Até que um ferreiro, Luc Varzean, mudou a forma do jogo e, assim, as pessoas enrolavam pedaços de pano que se transformavam em “bolas” e todo mundo participava da brincadeira.
No início do século passado, o Brasil ainda não era coberto por uma selva de pedra e os terrenos invadidos pelo mato eram perfeitos para mais um campinho de várzea.
Os campos eram improvisados, sem tamanho definido, nem sempre plano e podia ter  o time de cima conta o time de baixo, o gramado dava lugar  a muito mato, cercado de barro por todos os lados, tendo os buracos como obstáculos.
Dependendo do espaço, definia-se o número de jogadores, sendo a escolha por amizade ou no par ou ímpar e a duração do jogo levava em conta o condicionamento físico das equipes.
E o juiz?  Se não aparecesse um que quisesse apitar, as faltas eram marcadas no grito mesmo.
Após os jogos, tinha sempre um churrasco e cerveja aguardando os atletas e o melhor de tudo era ouvir as histórias de alguns ex atletas que foram profissionais e relembravam seus momentos de glória.
Mesmo com o fim dos campos de várzea, o futebol amador continua forte. Basta dar uma volta por aí, nos finais de semana e sempre passará por um campo de futebol, com belos gramados e outros, nem tanto, que sobrevivem graças ao esforço de pessoas abnegadas pelo esporte.
Talvez, uma das atrações desses jogos, seja um possível encontro de jogadores amadores, de atletas profissionais de folga, de ex atletas consagrados que matam as saudades dos velhos tempos e também daqueles que tentaram uma carreira profissional, porém, não vingaram e no futebol amador, complementam no orçamento familiar.
O perfil desses atletas não muda muito, Vão com agasalhos ou mochila de uma equipe profissional e, mesmo não apresentando um bom preparo físico, ainda assim, são diferenciados dentro de campo. E  após os jogos,  aquele  churrasco e cerveja aguardando os atletas e o melhor de tudo, poder ouvir as suas  histórias relembrando seus momentos de glória.