segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O DIA DO JUIZ


Festa pronta para receber um grande evento esportivo na pequena cidade do interior. Todo mundo se mobilizando para dar tudo certo. Empresários do comércio local, vereadores e até o prefeito, que não poderia faltar, é claro! Não tinha quem não quisesse participar de algum jeito.
No domingo a seleção da cidade receberia um time da capital para um jogo histórico e, como iremos ver, histórico mesmo. Essa equipe, que já havia conquistado inúmeros títulos tanto no Brasil, bem como em competições internacionais, tinha, entre outros, no seu elenco, o excepcional e mestre da bola Coluna, ponta direita driblador e artilheiro. Era o craque do time e tendo em currículo o título de campeão mundial pelo nosso país numa Copa do Mundo.
Junto com a delegação, veio o árbitro escolhido para dirigir a partida amistosa. O Sr. Esculápio da Costa, também conhecido no meio futebolístico de Seu Larápio.
Equipes em campo, festa na torcida, tudo pronto e apita o início do jogo. Desarme no meio campo, bola lançada na ponta direita, Coluna avança, deixando para trás o zagueiro, o goleiro crescendo ‘a sua frente, uma finta para esquerda e... o juiz marca impedimento. Vaias e reclamação geral, mas o jogo segue.
Aos 30 minutos do primeiro tempo, Coluna rouba a bola no meio campo, dribla um, dribla dois, balãozinho no zagueiro, invade a área e...POW!!!!!! É pênalti!!!! Que nada, o seu Esculápio larápio diz que se jogou, dá falta para o adversário e cartão amarelo para o Coluna que sai bufando de raiva e explode.
Pô, seu juiz, até em amistoso o senhor me persegue? E como a reclamação não termina, o seu Larápio puxa o cartão vermelho e expulsa o Coluna.
Coluna segue reclamando em direção ao vestiário e é cercado pelo promotor do evento, pelo Prefeito, não entendendo aquela situação.
Tenta explicar para todos que havia sido expulso de campo por reclamação e, imediamente recebe uma ordem: pode retornar para o campo e jogar, pois gastamos uma grana alta para ver você jogar.
Chegaram ao juiz e o expulsaram de campo. O jogo continuou, Coluna deu um show de bola, marcou três gols e um cara que estava na arquibancada teve um apito perfeito até o final.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

CRAQUE x CRACK

                   O moleque era bom de bola, não tinha pra ninguém. Na hora da escolha dos times era sempre o primeiro a ser chamado e não deixava por menos. Arrebentava com o jogo. Com dribles que deixavam o marcador procurando a bola, uma habilidade fora de série, um chute potente e quando preciso um toque de leve desconsertando o goleiro. O gol era um companheiro constante e fazia de tudo quanto é jeito.
Já tinha gente de olho nele para levá-lo para um time grande de São Paulo. Enquanto aguardava esse dia, seguia participando de campeonatos da região. Era figurinha carimbada e jogava ao mesmo tempo em três competições diferentes e sempre com enorme destaque. Na casa dele, arrumava uma maneira de poder guardar todos os troféus e medalhas de melhor jogador e artilheiro.
E foi levando, levando, conquistando e
vencendo, até que um dia foi levado.
Já não tinha a mesma vontade de jogar, a bola começou a bater na canela, corria ou tentava correr para não chegar, respiração ofegante, cansado e, ao invés de brilhar nos campos, passou a ter cadeira cativa no banco de reservas e perdeu a alegria de jogar.
O craque da bola havia perdido a batalha para o crack da vida, ou melhor, da morte.
Não sou nenhum especialista nesse assunto, mas acredito que as políticas sanitárias e de segurança pública não conseguem atingir seus objetivos e assim, o poder destrutivo do crack torna-se cada vez mais forte.
Talvez um dos pontos fundamentais na questão de combate ao crack comece por um eficiente trabalho de prevenção. Mas quem irá executar esse trabalho? O professor, os pais, o cidadão comum? Desde que haja uma preparação para essa tarefa e, principalmente, que seja feita de maneira constante, permanente e incansável, quem sabe consigamos o triunfo esperado.
O jogo já começou, o adversário é difícil de ser batido, mas temos que seguir em frente, tentar o gol e calar a boca do crack e, enfim podermos vibrar com nossos verdadeiros craques da bola, da vida e da sociedade, fazendo muitos gols e vencendo esse desafio.
O espírito do esporte é uma expectativa de uma vida saudável e feliz, ao contrário do crack que nada mais é do que uma sentença de morte.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

CAIO: O FILHO DA D. MARIA ALTIVA E DO SEU CALINHO


    Talvez a molecada de hoje, que joga no Baixio, no Ginásio ou no campo do Vila Nova, não saiba quem é ele, mas os mais velhos, esses tenho certeza que lembram e muito bem do Carlos Antônio da Silva Filho, o CAIO.
Cabeça erguida, passos largos, muita visão de jogo e uma habilidade fora de série.
    Assim era o Caio, filho da D. Maria Altiva e do Seu Calinho.
    Foi um dos primeiros amigos que fiz quando cheguei a Porto Belo. Eu o chamava de Baia, um cara boa praça, bom de papo e quando eu ia até sua casa, na Vila Mateus, seja para ouvir o som do Zé Ramalho ou ver um jogo do Botafogo, era como se eu não fosse um cara de fora e me sentia como um nativo, tamanha era a hospitalidade dele e de toda sua família.
   E tinha o futebolzinho no fim de tarde em frente ‘a casa do Dr. Sergio do Baleia Branca, a turma toda reunida, de vez em quando, uma escapada na venda da D. Daíca. Na areia ou no campo, o Caio esbanjava categoria e tomava conta do meio campo, batendo a bola com maestria.
   Lembro-me de um torneio em 1978 e tenho a foto para comprovar. Eu ainda morava em São Paulo e o pessoal daqui avisou que teria um torneio de futebol no final de semana, no campo do Vila Nova. Não pensei duas vezes, peguei o ônibus e no domingo, estava em campo, jogando na zaga do segundo time do Vila Nova, junto com o Caio e outros companheiros. Na posição que eu jogava, era fácil de perceber a categoria que o Caio tinha.
   Mesmo que por pouco tempo, fiz uma amizade muito forte com ele e com toda a família da D. Maria Altiva e do Seu Calinho, que me acolheram tão bem.
   E não tem como esquecer aquele delicioso doce de mamão verde.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A BOLA DA VEZ

  
A roda entrou para a história e é impossível entender o mundo sem ela. Fico só imaginando os egípcios carregando pedras e mais pedras nas costas e chega a roda colocada numa carrocinha para facilitar a dura vida deles.
Mas será que eles, entre uma roda e uma pedra, na folguinha que tinham, não batiam uma bolinha? Daí aparece um grego ou egípcio, sei lá, atirando e chutando um troço redondo. Falta do que fazer.
Milhares de anos já se passaram e os chutes, arremessos e passes não param em muitas modalidades esportivas onde a bola é fundamental.
Mas afinal, quem inventou a bola? Só sei que desde a pequenina bolinha de gude até a maior delas, acredito eu, a bola de basquete, a bola é a bola da vez e bola pra frente.
Com as mãos, com os pés, com a cabeça, dando raquetadas nela, tacos arremessando o mais longe que consigam, ou, com precisão, tentando acertá-la num buraco de uma mesa. E lá vem ela, os pinos em pé, aguardando a cacetada de uma bola pesada tentando derrubá-los.
A bola nasceu bola e é bola até hoje. Tá certo que no início, algumas feitas com couro, eram mais pesadas. Agora mais leves, mas o jeitão é o mesmo.
Bolinha de gude, sinuca, ping-pong, boliche, badminton, hóquei sobre o gelo ou na grama, pelota basca, polo aquático, voleibol, frescobol, basquetebol, futebol de areia, rúgbi, tênis, futsal, golfe, futebol americano, críquete, squash, futebol de campo. Sempre a bola a dona do jogo.
De uma forma geral, os esportes vêm sofrendo alterações ao longo dos tempos. O tênis de campo, por exemplo, não é o mesmo que se jogava na década de 60, num estilo mais clássico e hoje, é a força física que decide uma competição. No futebol de antigamente, sobravam mais espaços em campo, enquanto que hoje você observa os jogadores correndo o tempo todo, marcando e a bola, é deixada em segundo plano.
Talvez o mundo atual esteja mais agitado e a bola acabou assimilando essa característica.
Bom chega de papo, pois tá na hora do pessoal bater uma bolinha no Baixio.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

AFUNDA, AFUNDA, AFUNDOU... WOW, ANA MOSER!!!


Jogo disputado, ponto a ponto, as jogadas não saindo e o técnico solta o grito do banco de reservas, bola na Ana, bola na Ana.
E como dizia o brilhante locutor Marco Antônio Matos, Afunda, afunda, afundou... cortada indefensável e ponto para o Brasil.
Um dia desses, eu vinha caminhando pela praia de Porto Belo e cruzo com quem? Ana Moser!!! A menina que aos sete anos dava seus primeiros passes no voleibol, em Blumenau, não demorou muito e aos 16 anos foi para São Paulo, pois havia sido convocada para integrar a Seleção Brasileira na categoria infanto-juvenil.
Em 1987 chegava ‘a Seleção principal, sendo titular absoluta e eternizando a camisa 2, nas Olimpíadas  de 1988 e 1992. Em 1996, nos Jogos Olímpicos de Atlanta, mesmo retornando após uma séria contusão, foi peça importantíssima na conquista do bronze. Era o estopim para o ouro em Pequim-2008.
Ana Moser sempre foi uma grande líder dentro e fora das quadras, tornando-se, com justiça, um símbolo de uma geração que levaria o voleibol brasileiro ‘a elite mundial.
N a quadra passava uma imagem de temperamento forte e um exemplo histórico foi a partida com a poderosa equipe de Cuba, em Atlanta-96, quando foi para cima das cubanas. Mas no dia a dia, Ana Moser se mostra tímida, preferindo não ser reconhecida, embora trate com muito carinho seus fãs.
Quando ainda estava em atividade nas quadras, desenvolveu um trabalho para formação de atletas, onde buscava o ensino da prática do voleibol nas escolas públicas e particulares do Brasil, inspirando, dessa forma, a criação do Instituto Esporte e Educação. Segundo ela, o esporte significa autoestima, saúde e convivência social.
Pois então, meus amigos. Ana Moser já havia passado por mim na praia de Porto Belo e enquanto ela seguia na caminhada, eu ia me lembrando de momentos memoráveis que atletas como ela, nos enchem de orgulho.
Afunda, afunda, afundou... WOW, ANA MOSER!!!!!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

É O FIM DO MUNDO!!!!!

      
Acabou o café! Mas poderia ter acabado o leite, o arroz, o pão ou então... o Mundo!!!!
Afinal, se tudo tem um início, nada mais natural que tenha um final. O filme, a novela, o big brother, o jogo, a cerveja.
Os Maias disseram que o mundo acaba em 2012, mas, com calma, minha gente, sem afobação, pois é só lá para dezembro. Alguns cientistas da NASA já disseram para meio mundo que vem por aí, uma tempestade solar, acreditem, também em 2012.
Com o ano 1000 aproximando-se, qualquer fato anormal era considerado um sinal dos tempos. Ele chegou quietinho, não incomodou ninguém e resolveram remarcar o fim do mundo para 1033, afinal eram mil anos da morte e ressurreição de Cristo. Mas, novamente, tudo calmo, sem maiores problemas.
Teve um pretenso profeta que, após a visita de sete anjos em 1963, afirmou que 1977 era a data do fim do mundo. Talvez para os torcedores do Atlético Mineiro, que tinham uma bela equipe, tenha sido, pois perderam a final do Brasileiro para o tricolor paulista, nas penalidades máximas. Enquanto que foi o ano do renascimento do Corinthians que saía da fila no Campeonato Paulista, superando a Ponte Preta. Só que para o tal profeta, o fim chegou antes, pois morreu num acidente em 1965.
Malucos ‘a parte, acho mais inteligente declarar que o mundo não vai acabar, pois pelo menos assim, caso eu erre em minhas previsões, menos mal, pois não restará ninguém para gozar da minha cara.
O mundo não vai acabar em 2012, mas seria bom se algumas situações do esporte tivessem fim.
Já pensaram as equipes de futebol, em suas divisões de base, proibindo que seus jovens atletas estejam atrelados e amarrados a empresários, nem sempre bem intencionados?
E nossos grandes clubes, quebrados e devendo um monte, dizendo um NÃO quanto ‘a contratação de jogadores que não tem mais mercado no exterior, que chegam contundidos, gordos e, ao invés, de estarem dentro de campo, justificando verdadeiras fortunas em salários, passam a maior parte da temporada no departamento médico ou então nas baladas. Jogar que é bom, nada.
E o fim de salários astronômicos para gerentes de futebol e técnicos, que nem sempre dão conta do recado e culpam o elenco, a diretoria, a torcida, mas no fim do mês, o bolso tá cheio.
E a nossa Seleção. Seleção??  Haja paciência para ver um apanhado de jogadores que está sempre tentando se arrumar. Ah!!! Mas a chuteira cheia de cores, o cabelo da moda, as dancinhas na comemoração dos gols... isso não pode faltar. O que falta é futebol, isso sim.
E a CBF cada vez mais forte, ou seria caixa-forte?
Mas fiquem tranquilos. O mundo não vai acabar, mas, quem sabe, em 2012, o torcedor brasileiro consiga ficar tão assustado e revoltado em duas situações: a nossa Seleção na sexta posição no ranking da FIFA e o fato de estarmos em 84* no ranking de Desenvolvimento Humano, segundo a ONU.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

MAELE E JOEL



Na sombra do Jambolão do Trapiche dos Pescadores, um calor sufocante, batendo um papo tranquilo e os dois irmãos dando uma geral no barco para mais um dia de pescaria e o Zezinho veio com a pergunta: Vai me dizer que eles também foram seus alunos? No fundo ele já sabia a resposta e apenas comentei... Quem? O MAELE E O JOEL? Claro que foram e tenho muito orgulho disso. E foram do tempo que o muro do C.E. Tiradentes era baixinho e a quadra de esportes, com seu cimento áspero estava sempre com alguém batendo uma bolinha.
Ismael, era assim que eu o chamava, correndo, driblando, fazendo gol e, de repente, vinha o grito, avisando, abaixa que seu pai tá passando. Com medo da bronca do pai, rapidamente abaixava-se, mas, tão logo o perigo passasse, o futebolzinho voltava a correr solto.
Hoje um quarentão, continua companheiro da bola, talvez não com a mesma velocidade de outros tempos, mas mantém a alegria de jogar.
E o Joel, sempre com um jeito mais caladão e um cavalo na proteção da zaga. Joga quieto, quase não reclama durante o jogo, mas com um ótimo senso de marcação, chegando junto e firme, sem ser desleal.
Pode ser Futsal, Futebol de Areia ou Futebol de Campo, vão estar lá, prontos para o jogo, o Maele mais agitado, reclamando da arbitragem, do adversário e, às vezes, dos companheiros de equipe, enquanto o Joel, tranquilo na dele e ligado na marcação.
A formação familiar que tiveram, pela educação proporcionada pelos pais, com a paciência de um pescador que sabe o que é essencial, conhecendo as leis da natureza e, dessa forma, ir lapidando o caráter e sempre aprendendo com os gols perdidos e com um mal dia de pescaria, com perseverança e determinação.
Maele e Joel, se um dia você bater uma bolinha com eles ou acompanhá-los numa pescaria, pode ter certeza, vai valer a pena.